Com o intuito de arrecadar verba para o próprio espaço cultural da região do Campo Limpo, coletivos do Espaço CITA (Cantinho de Integração de Todas as Artes) se juntam para fazer pela primeira vez, a Festa “Julina”.

Por Bianca Braga, Monitora Educativa do Escola de Notícias.

Foram dois anos sendo ocupado pelo vazio e o silêncio. E aí a Trupe Artemanha chegou em 2011, vinda de Taboão da Serra, cidade vizinha. Precisava de uma casa nova, existia uma casa nova a sua espera e ambos se encontraram: o lugar, os artistas e as duas cidades, vizinhas de rua. O que hoje é o Espaço Cultural CITA, já tinha sido uma Escola Cultural – OCA, depois, a subprefeitura. O poder público ficou por lá até 2009, quando foi morar perto do metrô e do shopping da região. Durante os meses seguintes, o portão ficou trancado, quando existia um portão; as portas vez ou outra foram quebradas por curiosos, quando existiam portas, e a vontade de transformar aquele vazio todo em algo útil para a comunidade foi se perdendo na burocracia dos dias, quando existia vontade. Mas aí a Trupe Artemanha chegou.

O vazio e silêncio do Cantinho de Integração de Todas as Artes viraram aulas de circo, de teatro, de percussão. E o CITA de hoje nasceu naquele ano, Centro de Investigação Teatral Trupe Artemanha. Dois nomes para a mesma sigla e um mesmo propósito. A ocupação física era só um detalhe, uma desculpa para o que tudo aquilo significava: transformar espaços sem vida em lugares criativos e pulsantes. E assim foram chegando outros artistas, coletivos, outras ideias: o Festival Nacional de Teatro do Campo Limpo – FESTCAL, a Revirada Cultural da Resistência, chamando atenção para a pressão que o grupo sofria para deixar o lugar. Eles não estavam sozinhos nessa nova casa. Em 2013, o que chegou foram outros rostos e novas ideias: o Maracatu Ouro do Congo, Sarau do Binho, Quintal de Histórias e o Escola de Notícias.

O CITA virou ponto de encontro de todas as artes da região, antes de virar Ponto de Cultura, em 2014. O espaço mudou de nome, sem mudar de sigla. O que era Centro de Investigação Teatral Artemanha virou Cantinho de Integração de Todas as Artes. É que nas mudanças da vida, o grupo de teatro ganhou casa nova lá no Ceará nesse ano. Quem não foi, virou Bando Trapos, aqui em São Paulo. Outro grupo, outro nome, outras artes, e a mesma casa. A poesia dessa história é saber que o último coletivo a chegar ao Espaço CITA sempre foi quem recebeu todos os outros de braços abertos. Parece uma peça de teatro, mas é só a vida acontecendo.

Foi percorrendo essa vida cheia de andanças e mudanças que a ideia de realizar uma Festa Julina surgiu. A partir de um desejo antigo dos coletivos de fazer intervenções culturais e promover algo que enriqueça a comunidade e as pessoas que vivem nela, os grupos, em especial o Bando Trapos e o Escola de Notícias, perceberam que nada melhor que provocar uma mudança ou uma valorização por meio da própria praça da região.  

Aproveitando essa época cheia de cor, música e dança, a intenção é fazer com que as pessoas olhem e vejam que na praça também pode existir festa, pode existir sorriso e diversão para todos, de todas as idades, tudo ao mesmo tempo. Os coletivos culturais têm como objetivo principal destinar o dinheiro arrecadado na festa para os próprios cuidados do espaço, que afinal de contas, são para todos, de todas as idades, sempre.

“Além da própria divulgação e visibilidade que queremos dar para o espaço, a festa tem como intuito arrecadar capital para mantermos o mesmo, como pagar a conta de água, de luz, refazer uma pintura aqui ou ali para que depois a própria população da região possa usa-lo.”. Contou João Andrade, ator do Bando Trapos.

A festa será realizada nos dias 26 e 27 de Julho. Além de comidas, bebidas e muita dança, o evento contará com apresentações dos próprios moradores da região do Campo Limpo como música ao vivo (sábado) onde o público poderá mostrar sua arte e seu talento no chamado Palco Livre; o palco contará com diversos instrumentos para quem quiser realizar algum tipo de apresentação, como: citação de poesia, música instrumental e canto. Além do Palco Livre, rolará apresentações do Sarau do Binho no segundo dia de evento (domingo).  

Considerado como uma referência de expressão cultural e conscientização política na região do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, o Sarau do Binho é realizado todo último domingo do mês no Espaço Cultural CITA, ele promove uma reunião de poetas, cantores e músicos e tem como principal proposta o compartilhamento e o diálogo da arte, poesia e rimas livres com o público.

“A festa Julina ainda pode aproximar a população não só do espaço, mas sim, da própria cultura da região que muitas vezes é desconhecida. Por isso que decidimos que além de tocar as músicas típicas da festa de São João, também poderíamos convidar os artistas do Campo Limpo para tocarem algumas coisas e fazer com que os próprios moradores se sintam convidados a participar”. Contou Rodrigo Dias, psicólogo e ator do Bando Trapos.

“As pessoas da nossa região deviam tentar conhecer mais a comunidade e prestar mais atenção na riqueza dos pequenos detalhes que há nela. O Campo Limpo tem sim um lado ruim, mas existe uma imensidão de oportunidades e coisas boas que as pessoas nem sequer sabem que existem.“ afirmou Karina Castiglioni, participante da turma de jornalismo da Escola de Comunicação Comunitária do Escola de Notícias e moradora do Campo Limpo.

Acreditando que todos sempre têm algo de bom para oferecer, o espaço CITA como de seu costume, está de portas e braços abertos para receber todos os tipos de ajuda dos próprios moradores da região para a realização do evento, como ajuda na alimentação, decoração, organização ou para a venda de comidas e bebidas.

“Eu sempre frequentava a praça quando era criança e hoje, eu vou mais para me entreter. Estudei no Escola de Notícias, o que me conectou ainda mais com a região do Campo Limpo, por isso que mesmo eu não gostando muito da típica Festa Junina, eu vou nessa e ainda vou ajudar na realização da mesma porque eu sei que lá eu posso me divertir”, contou Lilian Rosa, estudante, moradora do Campo Limpo e voluntária na Festa Julina.

Com uma infinidade de coisas, o evento não termina por ai. Junto com ele, rolará um brechó na praça que divulgará toda a festa para quem estiver passando pelo espaço.  Os preços de alimentos, bebidas e diversão variam de R$1,00 a R$5,00 e a venda será realizada dentro do próprio Espaço Cultural CITA (Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo – SP).

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