Manifesto

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Foto por: Simone Carvalho Fernandes

Somos atores de teatro, músicos, batuqueiros, cantores, dançarinos, brincantes, palhaços, pintores, jardineiros, garis. Somos trabalhadores envolvidos diariamente nos cuidados de um espaço cultural que com quase sete anos de atividades semanais, já ofereceu oficinas diversas, recebeu apresentações artísticas de parceiros do bairro, da cidade, do estado de São Paulo, do Brasil e de fora dele. Conhecemos de perto as alegrias e as tristezas de viver e atuar na periferia, em frente à Praça do Campo Limpo que é também o nosso quintal.

 Somos personagens de uma importante história de luta: pelo direito à cultura, pelo direito à ocupação dos espaços públicos, pela difusão do teatro, da música, da dança, das brincadeiras populares e manifestações afro-brasileiras. Contra o preconceito de raça, cor e classe social, contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra o machismo e a homofobia.

 Para nós, ocupar artisticamente o Espaço Cultural CITA significa dar continuidade e afirmar a nossa própria história. Queremos compartilhar um espaço onde se possa criar, tocar tambores, dançar, pensar novas possibilidades para as crianças e jovens de hoje, novos modos de vida que vão contra imposições e modelos que não nos representam. Aqui, cuidamos do jardim, aramos e nos sujamos de terra no bosque, para juntos brincar, e de noite jongar ou ouvir histórias em volta da fogueira. Pra fazer aulas e reuniões ao ar livre. Para nas tardes de sábado ouvir tambores de maracatu que ecoam de nosso quintal.

 Reforçamos diariamente a nossa (R)Existência, o nosso direito de acessar e produzir cultura: Ouvindo nossos mestres griôs falarem, invadindo a cidade, tocando nossos tambores, cantando, dançando, ouvindo e falando poesias, dançando ao som de músicas que vem da nossa alma e da alma de nossos parceiros de caminhada.

 Punhos cerrados, sorriso no rosto, corpos em prontidão! Você é nosso convidado.

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